Sábado, Julho 11, 2009

A saudade

Saudade em mim, é como falta.
Falta ar, falta palavras, falta tempo.




Volta pra mim, volta. Eu sinto falta de mim.
Percebi hoje, que eu sinto falta do meu eu.

Quarta-feira, Julho 08, 2009

?

Ok, não tem título.


Acordei de madrugada, com umas vontades absurdas. Ignorem.
Depois disso, me arrependi de ter levantado.
Mania estúpida que eu tenho de querer ficar vasculhando lixo e coisas que simplesmente não tem importância nenhuma... mas eu o faço, afinal, elas estão ali, bem no meio da tua cara, como ignorar? Não dá.

- Eu juro que eu tento, eu juro.

Sempre fiz isso, sempre tive essa curiosidade insaciável. Talvez eu devesse filtrar isso, talvez não. Da minha curiosidade, conheci coisas e pessoas incríveis. Da minha curiosidade, eu me fodi grandão. É o meu jeito, quem pode mudá-lo? Tem fórmula? Se tiver, aceito. Hoje eu aceito, pq essa curiosidade é agoniante.

Mas são manias, e quem disse que manias tem explicações? É bem burro.
Deveria focar essa curiosidade em assuntos mais inteligentes, em conhecimento mais aproveitável, ao invés de ficar me matando com inutilidades (públicas).
Ha-ha-ha, nem é engraçado, mas depois eu sei que me cagarei de rir. É assim mesmo que eu sou!
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Putamerda, não tem mesmo como mudar, foda-se a fórmula, eu já estou rindo de tudo e de mim. Bom né? Ao menos, a graça, eu vejo... se a sinto de verdade? Quem sabe.

- Credo Nathalia, credo! Que se passa? Uma noite mal dormida, uma semana mal vivida, é tempo que não se recupera, vai viver o que te resta!

Conhece aquele maldito baú? Não é o baú da felicidade que eu to falando. É aquele baú fedorento, que vc quer dar uma abridinha, pra ver se o cadáver já se decompos e só sobrou os ossinhos?
Só que vc abre o baú, e não tem cadáver, não tem osso. Vc sabe que não tem, pq ele nunca existiu! Mas o fedor existe, e vem da onde?

- Provavelmente, vem de você.

Essas semanas tem sido ridículas. To me sentindo como um chafé. É, aquele café que tem mais água do que pó. Mas mesmo assim, tem gente que bebe pq precisa sentir levemente aquele amargo, pra depois reclamar que tá uma merda. Se sabe que é merda, não sei pq insiste. Deve ser pela ânsia de que vai ser diferente? De que vai ser finalmente bom?
Que seja, isso não é problema meu, eu nem bebo café.



Engraçado, é que eu tenho todo o amor do mundo pra mim, e eu nem to sabendo como aceitá-lo.

- Ah, cala-te!

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Os Testes

Tava vendo o blog da Chris, e resolvi fazer os testes só por brincadeira haha. Momento descontração, pq eu tava precisando :)

Que livro você é?

"Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis

Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
"Memórias póstumas de Brás Cubas" (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.



Chakra?

Raiz: sob-ativo (-6%)
Sacral: aberto (63%)
Umbigo: sob-ativo (-19%)
Coração: aberto (50%)
Garganta: aberto (44%)
Terceiro Olho: aberto (38%)
Coroa: sob-ativo (-13%)

Vou lá cantar o LAM, o VAM, o YAM, o NHAMI, o HMMM huhuhu.

Ah, depois eu faço mais. Mas adorei o Memória Póstumas, adoro esse livro. Adoro.








Terça-feira, Junho 30, 2009

O Crescer

Tava vendo TV ontem, nos meus momentos raros em que paro pra assistir algo, e vi uma propaganda de um salgadinho feito para meninas. Achei bem estúpida a associação deles, de que na cabeça das meninas, o que existe é "sapato, meninos, fofocas, mais sapatos, gatos..". De imediato me revoltei, pq eu não penso nisso, e foi aí que me dei conta, de que infelizmente não sou mais uma menina. Tive que encarar o fato de que sou mulher.
E o que isso quer dizer?
Responsabilidades e deveres, o tal do crescer e amadurecer.

Cada pessoa tem uma experiência de vida diferente, aquelas experiências que, de alguma forma, não importa qual, agregam em você e te dão escolhas de como agir diante de uma situação.
E quando tudo é novo e diferente, e você não tem um referencial pra isso?
Pra onde vc recorre, quando as situações são tão contrárias? E quando são similares, você faz tudo de novo ou tenta fazer diferente?

Seria como minha mãe me disse uma vez, que ela errou muito comigo e fez diferente com o meu irmão. Hoje ela até diz se arrepender de ter feito e não feito certas coisas, mas ela estava só e teve que aprender sozinha. Sinceramente, hoje eu me sinto privilegiada pelos "erros" e "acertos" dela. Faz de mim o que eu sou. Se é bom ou não, já é assunto pra outro post e de uma comitiva julgadora haha.
Ou como uma menina que só pensa em sapatos, engravida, toda uma vida muda por causa de outra.

O amadurecer não é fácil, ninguém consegue comprar e muito menos ensinar. Você dá de cara, quebra a cara, e guarda tudo, pra que na próxima vez que acontecer, você saiba o que fazer ou não fazer.
No meio do caminho, a gente consegue dar a sorte de encontrar meios mais suportáveis de encarar essa realidade, muitas vezes, você está só e isso deveria bastar.

Talvez o processo de amadurecimento comece justamente quando começamos a nos perguntar o pq das coisas e a tentar enxergar os caminhos que tomou pra chegar até alí.
Arrependimento? Eu não sei... ele sempre aparece.
Mas se faz parte do todo, talvez não devesse ter arrependimento, e sim, a vontade de fazer diferente e mudar. A vontade é muito melhor do que o arrependimento em si.
Na vida, a gente sempre está aprendendo e vendo coisas novas, e isso pode ser um conforto, e encontrar um lugar onde você possa errar sem consequência alguma é raro. Inexistente, eu diria.

O caminho do crescer é amargo, afortunados aqueles que encontraram uma mão pra ajudar, não a ser maduro, mas a se manter nesse caminho que é tão solitário.

Domingo, Junho 28, 2009

A Vida

Parece que o único pensamento que se diz respeito à vida, é a morte. Pois bem, pra todo começo, existe um fim, só varia a forma desse final.
Eu sempre tive muito medo da morte, por desconhecê-la. Nada mais natural do que vc temer algo que não conhece, mas surpreendentemente (ou não), é o que vc mais corre atrás.

Eu até invejo essas pessoas do qual o cunho religioso não me agrada nem um pouco, e cada um se segura naquilo que te faz bem, a conhecida muleta. Se segura aonde dá.
Eu me sinto muito bem em dizer que não acredito em nada. Não sou atéia, apesar de às vezes parecer, não sou do tipo true satanic hahaha porque é igualzinho ao cristão - só que invertido - não sou agnóstica, não sou nada. Eu me resumo na minha essência, e quando eu morrer, eu descubro o que rola. De verdade? Eu já to aqui, não tenho pra onde fugir, de que adianta não é mesmo?

Comentar sobre a morte do menino que era preto e virou branco, no meu momento, seria apontar um teco de toda uma história, e eu não estou nem um pouco a vontade de falar sobre isso. O fim me incomoda.
Eu só consigo imaginar, nas pessoas que realmente amam e perdem um alguém. Sem falsos seguidores, sem mídia, sem nada.
Eu já perdi, eu sei como é.

E apesar de ser natural, pq a morte incomoda tanto? Pq?

Sábado, Junho 13, 2009

A Francesca

Francesca teve o poder de me seduzir.
À primeira vista, senti medo. Um medo que eu nunca tinha sentido. Medo de olhar?

Eu olhei. Olhei de verdade. Com os olhos de quem sente sede e vê um copo cheio de água fresca. Seu modo de me arrancar os olhos, consiste nesse quase. A imagem mantém-se em mim tão somente por ser esse fora indescritível, pelos lances que vi, mas não consegui apreender, como um vulto.
Um vulto, que quase sempre é o todo. O todo, que é quase sempre um nada.
E é nesse nada que eu me encontro.

Sua substância acontece, fora de si, no espaço que há entre a força que o move e o mundo que o acolhe. Sua imagem não é a revelação de uma realidade, mas de uma sombra, de algo que é inteiramente vivo.

Vivo!
É tudo tão vivo, mesmo que pareça morto.
Eu vejo o pulsar.
Uma pulsação de intensidades dentro de acontecimentos. Ao meio de linhas, de peles, de dobras e desdobras.
Apaixonei-me. Completei-me.



















Francesca seduziu sem deixar pistas.

Quarta-feira, Junho 03, 2009

A Música

Eu sempre tive uma relação meio estranha com música. A maioria das pessoas gosta de associar músicas a sentimentos, sejam tristes ou felizes. Sim, é como basicamente quase tudo funciona, a gente trabalha por meio de associações. Se não existe uma base de comparação, qual a tua referência pra tal coisa? 

Na maioria das vezes, eu nunca associo uma música com algum momento triste, ou alguma situação. Acho que existem 3 músicas na minha vida, que eu vou escutar e pensar em algo realmente triste. Mas fora isso, eu consigo ouvir Anathema de boa e não sentir nenhum tipo de tristeza.

Claro que eu gosto muito de associar letras com pessoas. Mesmo que a letra seja brega, ou que a melodia seja terrível. Sinceramente, quando eu to bem do brega (e sem noção musical  nenhuma), eu ouço um pagode no carro do lado passando ao meu, e já penso um milhão de coisas (boas).
O que importa mesmo é você se sentir bem com música. Extravasar qualquer tipo de sensação. 

Boa parte da minha "vida musical" deu-se mais pela parte técnica do que qualquer outra coisa. E ultimamente tenho procurado ouvir da forma que a maioria das pessoas ouvem música. A catástrofe é que eu fico procurando e nunca acho nada.

Por sorte, mês passado olhei pra um baú maravilhoso: Chris Isaak.  Putamerda! Sabe quando vc escuta examente o que tava precisando? É isso.
Foda esse tipo de coisa, o cara existe faz tempos e a gente... eu, sempre procurei por coisas modernas. Mas o que é moderno? Chris Isaak soa moderno pra caramba. Incluindo as fotos dele, não importa quanto tempo passe, o cara sempre tem a mesma cara.

Gostoso se você parar pra reparar, é que as músicas que vc ouve quer dizer muito do teu momento. Pra mim, Chris Isaak soa ingênuo e incrivelmente sensual. Essa mistura costuma dar certo não é mesmo, aquele ar ingênuo misturado com uma voz de veludo te faz querer coisas igualmente ambíguas.
Talvez a gente procure por simplicidade, ou por complexidade musical... quem sabe. 

E quem lá quer saber?

Domingo, Maio 31, 2009

A comunicação

Vivemos de comunicação. Não importa de que maneira vc deseja se comunicar; pela internet, pelo telefone, por sinal de fumaça, pintura, olhar. O que importa, é que de uma maneira ou outra, estamos sempre tentando nos fazer entender.
E é tão importante e necessário sempre ter que dizer algo?

Pois é. Semana passada acabei perdendo meu celular. Até então, eu não pensava nele como um objeto de comunicação necessário. Sempre achei, que nos dias de hoje, a internet fosse o meu meio de comunicação mais utilizado. Doce engano.

Quando eu coloco o pé pra fora de casa, acabou meu contato com as pessoas. Sou eu e mais eu. Depois de uma semana assim, meio perdida nas idéias, eu gostei do resultado final. Eu não morri. :)
Pois é. Me fez abrir os olhos e a cabeça pras outras coisas. Fui obrigada a conviver com somente os meus pensamentos, sem saber dos outros, conviver com isso, e bastar. Comecei a andar com papel e caneta pra fazer minhas anotações, e um livro. 

Já tá sendo o suficiente. 







(um muito obrigada pelo layout novo, feito pelo Wendell. :*)

Segunda-feira, Maio 11, 2009

O tempo.

Os ponteiros do relógio que nunca param de girar. Eu olho pra ele, ele olha pra mim. Eu vejo a risada irônica que ele joga. É um jogador.
Tá sempre me enrolando... e como que eu fico? Enrolada! Claro.

Claro...


Num dia de 24 horas, às vezes me falta minutos. Minutos, quando se quer falar um algo mais, pra quando se quer mais um abraço, mais um beijo. Mais um pouco.
Minutos que sobram, quando a gente quer mesmo é ir embora e não tem como,  quando não quer mais escutar e nem ver. Menos. Menos.


Hoje nem sei o que eu quero. Tempo de mais, tempo de menos.
Só sei que hoje estou aqui. Amanhã....  quem sabe.



(eu não gosto de Pink Floyd! Eu não gosto!!!! Mas essa letra é foda.)

Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an off hand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
You are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun

And you run and you run to catch up with the sun, but its sinking
And racing around to come up behind you again
The sun is the same in the relative way, but youre older
Shorter of breath and one day closer to death

Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the english way
The time is gone, the song is over, thought Id something more to say

Home, home again
I like to be here when I can
And when I come home cold and tired
Its good to warm my bones beside the fire
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells.






Segunda-feira, Maio 04, 2009

A perspectiva

Ontem no carro, a Mari deitou no meu colo no banco de trás e ficou a olhar:
- O que vc tá olhando Mari?
- To tentando reconhecer onde nós estamos.
- Nós estamos numa rua que sempre passamos, mas vc não vai reconhecer pq está deitada.

Pois então, fiquei falando disso no carro e todo mundo ficou olhando pra mim como se eu tivesse usado droguinhas.
Pq não conseguimos reconhecer uma rua se deitarmos no banco do carro? É só uma posição, de sentado pra deitado. Mas pq?
Nós estamos tão condicionados a enxergar as coisas de uma forma, que quando mudamos, nem reconhecemos o que está à nossa volta. E não importa o que seja, se é uma rua, uma pessoa, uma idéia ou um ideal. Tudo depende da nossa perspectiva.
Nas aulas de desenho nós aprendemos perspectiva, e conseguimos representar em campos bidimensionais aquilo que é tridimensional.
E quando se está no tridimensional e tudo o que vc consegue enxergar é bidimensional?
Nós escolhemos uma referência e nos baseamos nela como referência.

Mas não passa de uma ilusão, assim como a geometria descritiva.

Terça-feira, Abril 28, 2009

A brecha.

[ nath ] diz (02:04):
mudança é ótimo!
[ nath ] diz (02:04):
eu gosto de mudança meu
[ nath ] diz (02:04):
apesar de ter medo de dar o primeiro passo
[ nath ] diz (02:04):
mas qndo a gente dá, aaaah é tao gostoso


Ah, ó a brecha Nathalia, po.

Segunda-feira, Abril 27, 2009

A distância.

Ela sempre teve medo da distância. Sempre que pode, a evitou.
Evitava deixar teu maço de cigarro longe das mãos, evitava deixar o celular em um lugar inalcançável.
Mas a distância dos objetos era fácil de ser controlada. E as pessoas?

A distância começa quando a saudade engrandece. Pensava ouvir passos, pensava ouvir vozes sussurrando. Tudo na cabeça dela. A distância enlouquece.
Pensar que ela, coitada!, a evitava desesperadamente, acabou por dormir abraçada num vazio que não se explica. Na distância do toque.

De sentir e se enrolar, se perder nos teus cabelos, no gosto dos teus lábios. Ela já nem lembrava mais. Já não tinha mais o que dizer. Na distância das palavras.

Palavras que se esvaem, flutuam e submergem. Ela era solidão.











Domingo, Abril 26, 2009

As idades.

Eu olho pras pessoas na rua, principalmente portas de colégios, e fico imaginando que eu não sou tão diferente assim deles. Fisicamente falando, excluindo a mentalidade de ameba.
Acho que parte dessa semelhança que me apego, são lembranças de um passado muito bom, que eu ainda tenho o costume de pensar e viver nostalgicamente tudo, junto do medo de tornar-se "adulto" e ter responsabilidades.

Mas e daí? A gente tem que crescer né. 
Ontem fiz idades, mas não vou dizer quantas. 


Sexta-feira, Abril 24, 2009

O costume.

Um dia desses, entrei no metrô novo. Bonito.  Tudo novo. 
A luz é forte, tem ar condicionado que te gela a alma, não é tão barulhento, então dá pra ouvir música em volume não ensurdecedor e falar ao celular sem parecer vendedor de frutas em dia de feira. Tem menos bancos, as portas são mais largas e os bancos tem cores diferentes. Ah, as cores.
Entrei e confesso que fiquei um pouco confusa. Onde eu posso sentar?
Normalmente eu posso sentar no marrom, e o cinza é especial. No novo, é azul pra sentar e verde especial. Ou vice-versa. Nem lembro. (e sim, pode sentar no especial quando não tiver ninguém)
Mas não é do metrô e nem de cores que eu quero falar. Depois disso, pensei nos costumes. Na rotina. Na mesmice. 

Como a gente se condiciona de forma bizarra a fazer e ser certas coisas.
O costume de entrar e sentar numa cor específica, de acordar e tomar o tal café, de fazer o mesmo caminho, de sair para os mesmos lugares. Vc acaba não reparando que a cor tem um significado, acaba não apreciando o gosto amarguinho do café e sentir o cheiro dele, não repara nos lugares à sua volta e nem conhece nada novo.
Vc dança sempre as mesmas músicas, fuma o mesmo cigarro, bebe a mesma bebida. Vc sai pra almoçar, e quarta sempre tem feijoada, domingo é futebol e Natal são presentes debaixo da árvore.
Dormir sempre na mesma cama e começar o banho lavando os cabelos. 

E os dias passam, sem que aconteça nada de novo. Dá sensação de que tudo já foi dito, de que tudo já foi vivido. 
E por que? Vai lá saber!
Repare nos tijolinhos daquela casa que vc sempre passa em frente, no açúcar que fica no fundo do copo do teu café, dance aquela música ridícula que sempre ignorou, coma só a sobremesa no dia da feijoada, domingo desligue a tv, no Natal não dê presentes, durma no sofá e comece o banho lavando os pés.

Mas não, não sente no banco especial do metrô. Vc não é lá tão especial assim.





Domingo, Abril 19, 2009

Trainspotting.

Trainspotting significa fazer nada, ou algo que não tenha sentido nenhum. Ou seja, total perda de tempo.  Observar trens, muito sem sentido, se você não trabalhar numa ferroviária.

Eu demorei bocados pra ver este filme, por falta de interesse ou pré conceito. É, não pelo fato de envolver drogas, mas detesto participar de coisas que são "in" na galerinha que se sente super descolada.
Mas, eu assisti, e gostei.

Da banalização existencial à ironia da vida, te faz pensar em muitas coisas.

*

- Desculpe, não quero incomodar, mas fiquei impressionado com a sutileza com que fez aquilo. Então pensei: "Ela é especial".
-Obrigada.
-Como se chama?
-Diane.
-Aonde vai Diane?
-Para casa.
-E onde fica?
-Onde eu moro.
-Ótimo.
-Por quê?
-Posso ir com você, se quiser, mas não prometo nada.
-Acha que esse papo é convincente? Já sei. Nunca tentou. Na verdade, nunca canta mulheres certo? Você é o tipo tímido e sensível mas, se estiver afim de arriscar, talvez o conheça melhor. Espirituoso, aventureiro, apaixonado, carinhoso, leal. Um pouco louco, um pouco malvado. Mas nós mulheres amamos isto.
- ....
-O gato comeu sua língua?

*

Adoro.


Segunda-feira, Abril 13, 2009

Simpatia e Empatia.

O que move as pessoas? A empatia ou a simpatia?

Eu ouço muito dizer que empatia é o mais importante, e fica na dúvida se relaciona isso à simpatia, antipatia, ou com alguma patologia.
Empatia, segundo o dicionário, significa ter tendência para sentir o que sentiria,  se estivesse em situação vivida por outra pessoa. Ou seja, ver o mundo com os olhos de nosso interlocutor, inclusive a nós mesmos.
A da pessoa que se coloca no lugar da outra e da pessoa que estimula a outra a se colocar em seu lugar. No primeiro existe a capacidade de entender e no segundo a capacidade de se fazer entender.

E quando não se cria uma empatia em uma relação? Não existe um diálogo e sim dois monólogos ocorrendo simultaneamente?



Sexta-feira, Abril 10, 2009

Canibalismo.

Hoje o assunto no trabalho foi esse. Nem sei mais como começou o assunto, mas é engraçado ver a reação das pessoas. Mentira, acabei de lembrar pq começou. Foi pq eu falei que a carne humana tinha o gosto doce, e queriam saber como que eu sabia.
Pelo amor, eu não sou a favor do canibalismo, e nem estou incentivando ninguém a comer ninguém, se bem que mordidas de vez em quando não pegam nada.

Bom, a pergunta foi: "Se vc estivesse numa ilha deserta, sem comida, sem nada, vc comeria seu (sua)  namorado (a)?"
A minha resposta foi sim.

Oras, sobrevivência. E se já morreu, que mal tem? Obviamente, que falando assim soa frio, e obviamente, estou respondendo de forma racional. Na hora eu não sei se comeria ou não de verdade. 
Eu não tenho religião, talvez por isso que essa decisão seja tão natural. Se a pessoa morreu, acabou. Se eu morresse, ficaria muito feliz de saber que alguém sobreviveu por ter comido minha carne.

"Mas e se fosse tua mãe?"
Comeria também.

Seria que nem morrer. Tanto faz ser cremada, enterrada. Pra onde eu for, vou ficar dando de ombros pra isso.

(Ah, e por favor, espere eu morrer pra comer. Seria bem agradável não presenciar.)

Quarta-feira, Abril 08, 2009

As Conversas.

Como é gostoso conversar.

fulana diz (20:49):
oieeeeeeeeeee
fulana diz (20:49):
td bem com vc???
[ nath ] diz (20:50):
bem e vc?
fulana diz (20:50):
toh bem tbm
fulana diz (20:50):
oq vc me conta de bom????
[ nath ] diz (20:51):
ah, o de sempre mulher e vc?
fulana diz (20:52):
eu toh trabalhando
fulana diz (20:53):
e toh de saco cheio do meu namoro pois tem 10 meses de namoro e a gente nunca comemorou nada soh de namoro e mais nd
fulana diz (20:55):
e isso me deixa do saco cheio pois eu adoro comemorar natal,pascoa,ano novo,carnaval....enfim td isso mais a pessoa não e tbm eh mto fria comigo e me trata mau
[ nath ] diz (21:20):
ta trabalhando aonde?



editando o post:


fulana diz (22:53):
henhenhenhenhen?????
[ nath ] diz (22:54):
q?



Quarta-feira, Abril 08, 2009

A Ausência.


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.





Nossa, como eu adoro o Drummond.
Foi assim que o meu TCC começou.
E é assim que acaba o post. 



...eu ouço barulho de grilo.

Terça-feira, Abril 07, 2009

As escolhas.

Faz um tempo que venho pensando nisso. Sempre começo o post com um "estava pensando". 
O pensamento é uma ação interminável. São raras as vezes que alguém vai poder dizer verdadeiramente "não estava pensando em nada". 

Tá.
Todo mundo sabe que a gente faz escolhas o tempo todo. Escolhe uma roupa pra sair, escolhe uma música pra ouvir, escolhe o pedaço de pão com a cara mais apetitosa, escolhe uma profissão, escolhe palavras a serem ditas. Escolhas.
Tem também aquelas que a gente não escolhe, como, uma doença grave (acredito que ninguém queira ficar com câncer), a morte de alguém amado, um coração que se apaixona, a chuva maldita que atrapalha teus planos, e palavras. Elas também entram aqui.

E de todas as escolhas que a gente precisa fazer, a pior é aquela que vc não gostaria. Não querer escolher não significa que vc deseja menos uma coisa da outra. Alias, decidir não escolher é uma escolha. Uma escolha terrível.
Pode soar hipócrita, egoísta.

Toda escolha tem sua consequência. Seja ela boa ou ruim.
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Mas sabe, aquelas escolhas que só quem te conhece vê nos teus olhos? Vc não precisa dizer nada.
Eu já escolhi.